quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Círculo inexorável

Eu chamo de inexorável o ato de escrever porque quando tomo o papel pelas mãos entendo a vida. Na verdade, não entendo nunca a vida, mesmo que eu tenha a ilusão de. Nem mesmo quando escrevo. Nem mesmo quando vivo, mesmo quando eu tenho a imaginação que. Queria mesmo era entender o porquê de eu ter essa mania de levar as coisas até o bagaço delas, mesmo quando elas já não se suportam mais, sequer a mim mesma. Fica tudo muito intragável, parecendo cigarro paraguaio, mas eu não sei de outra forma. É quando escrevo. E fujo. Para imaginar que vivo.

Rebecca Sanches
08/09/2011


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Liliane e Raquel

Liliane era a menina que todos diziam ser serelepe e inteligente. Era a segunda aluna da classe em notas. Aprendeu a ler muito rapidamente e interagia facilmente com seus amigos. Levava todos os dias seu lanche para o recreio composto de biscoitos recheados e suco de laranja. Não gostava de suco de laranja e propunha uma espécie de escambo com Raquel, a primeira aluna da classe. Raquel também era bastante inteligente, mas tinha poucos colegas. Na verdade, Raquel notoriamente era do tipo introspectivo e chegava a preocupar sua professora, uma moça jovem, sem filhos, mas bastante dedicada aos pequenos. Raquel também não gostava de suco de laranja, porém temia dizer não. O seu medo em dizer não a qualquer um era tamanho que trocaria a sua coca-cola gelada do recreio até mesmo por suco de goiaba - que não suportava - por medo de desagradar qualquer pessoa que fosse. E assim, todos os dias, não conseguia beber sua coca-cola e acabava por ficar com o suco de laranja de Liliane.
Raquel passou a vida bebendo suco de laranja, ainda que tivesse diariamente coca-cola em sua geladeira. Apenas suportava suco de laranja. Tinha medo da vida e medo de viver. Viver pressupunha desagradar os outros por meio de diversos nãos. Estava despreparada para o despreparo egocêntrico dos outros.

Rebecca Sanches
07/09/2011

Livro do dia

Acontecendo a Bienal do Livro 2011 no Rio de Janeiro nessa época do ano, lá fui eu. Saí do Riocentro entulhada de sacolas de livros como já era de se esperar, apesar de eu não ter programado qualquer compra. Problemas bancários? Pois é.

A primeira boa notícia é que me despi de preconceitos com relação a biografias. A segunda boa notícia é que o evento vem me servir de post inaugural do blog.

Comecei a ler o livro Clarice, (lê-se Clarice vírgula), do Benjamin Moser nessa semana e já vou lá pela página 300. Narrativa corrida, com muitas informações e alguns trechos de Clarice (e outros).

Válido para quem gosta de detalhes históricos e curiosidades que levam a entender o caminho percorrido pela escritora.

Válido para que as citações estanques - sem qualquer sentido, muitas vezes, sem referência à autora - parem na internet.

Procurem pela Editora Cosac Nacify, com opções de livro na faixa de R$ 90,00 e pocket beirando os R$ 30,00.